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Por Entrevistando

No início do seu primeiro mandato, Dilma Rousseff montou um ministério que indicava a continuidade com a linha Lula, mas fazia discursos para dar tranquilidade ao mercado e aos empresários tentando encontrar também um estilo próprio de governar. De fato, houve uma continuidade estratégica com o "lulismo", porém a sua habilidade política para dirigir um governo com a maior base aliada da história em período de desaceleração foi colocada à prova, e se viu em maus lençóis. Já no início do primeiro mandato, comentavam sobre uma clara tentativa da presidente de reorganizar o funcionamento da máquina pública, que na prática foi encenado e abortado.

Salientava-se que Dilma montava uma equipe econômica sobre a qual pudesse ter total controle e com a escolha de Alexandre Tombini para o Banco Central. O caminho logo foi dificultado e o governo prejudicado profundamente pela desaceleração das potenciais emergentes e pela dificuldade de usar a política econômica e os grandes investimentos para alavancar o crescimento.

As primeiras medidas anunciadas fizeram algumas "autoridades" a dizer que o país estaria, naquele início de governo, envolvido por um discurso conservador no campo econômico, e que acabaria derrubando a confiança dos agentes econômicos. A primeira ameaça não aconteceu, mas a segunda sim. A linha Antônio Palocci - nos primeiros meses como ministro da Casa Civil, que tentou se fazer influente no campo econômico pró manutenção de diretrizes orto-dóxicas, acabou sendo derrotada com a sua quada do cargo por envolvimento em enriquecimento ilícito. À época, comentava-se que saía de cena o último liberal do governo. Prevalecia, portanto, a linha Guido Mantega, que muitos dizem na verdade ser a linha Dilma, pois nos fatos ela é quem conduz a política econômica. Em fevereiro de 2011, Mantega afirmava a manutenção das diretrizes econômicas em relação ao governo Lula-Alencar, dizendo que jamais praticaria uma receita orto-dóxica e que continuava em desenvolvimento. Assim, a política econômica adotada desde 2009 para reagir a crise global foi intensificada a partir de 2011. Um conjunto de medidas chamadas na época pelo ministro de "nova matriz econômica". 

Em julho de 2011, Dilma tentava desvendar a esfinge do poder. Dificuldades de lidar com o Congresso e a queda do sue ministro da Casa Civil - justo aquele que ela tinha escolhido para a coordenação política e para tecer contatos com empresários e lideranças partidárias no Congresso - somada à pressão por constituir estilo próprio, para demonstrar que não era uma marionete de Lula, forçava a presidente a mostrar um lado político que ainda não tinha manifestado. Ao que parece, não revelado até hoje. Lula, ao escolher Dilma como sua sucessora, se cercou de um grupo de pessoais mais próximas a ela para articulação política e para tocar os grandes projetos de infraestrutura do governo, mas a falta de habilidade em fazer política, principalmente na relação com o Parlamento e com os empresários caminhou junto com seu estilo que imobilizava a própria ação dos seus aliados, esta que é uma informação consensual de todas as fontes de dentro do governo. Entendia-se, ali, que, até o momento, ela apenas chefiara a equipe econômica. 

Para reconstruir pontes com importantes frações da burguesia, principalmente do Sul e do Sudeste, Dilma indicou mudança na política econômica, Dilma deu a entender que fará agora ajustes demandados. O país adotou o estímulo fiscal desde 2011 para tentar se contrapor aos efeitos da crise na zona do euro e ao fim do super ciclo global de matérias-primas, com a desaceleração chinesa.  O estímulo foi implementado através de isenções fiscais e créditos subsidiados por parte de bancos estatais, o que teria pressionado a inflação, e para contê-la, o governo adotou o controle do câmbio e dos preços energéticos. Mas o forte "intervencionismo estatal" teria afastado investimentos sem produzir aumento do crescimento. Muita gente que critica o governo da atual presidente esquece que ela seguiu diretrizes então pleiteadas pelo ex-candidato a presidência Aécio Neves: elevou o preço dos combustíveis, permitiu a desvalorização do real frente ao dólar,  e prometeu cortar empréstimos do BNDES. 

Definitivamente, a partir de agora, a economia será uma nova prova para a presidente no seu papel de dirigente do Brasil. Por isso, neste segundo mandato, ela terá que enfrentar uma batalha crescente para convencer um Congresso relutante a perseguir uma maior disciplina fiscal. Este ano, a presidente deverá enfrentar esse desafio e reconquistar a credibilidade em meio aos escândalos da Petrobras. A história promete... 

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