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Rafael Borges, advogado | rafaelborges@nb-advs.com.br
A esquerda que a direita gosta é a esquerda dividida. Muito mais teórica e analítica do que a direita, a esquerda sempre se esfacelou em múltiplas correntes de ações e de pensamentos, que ora se digladiavam fatricidamente e ora se encontravam para um projeto eleitoral comum. Aficionada pela liberdade de mercado e as exigências do capitalismo, a direita sempre optou pelo acordo fácil, priorizando movimentos que afastassem os obstáculos políticos à acumulação do capital e à manutenção das desigualdades, sem “frescuras” ideológicas. O resultado disso na história brasileira todos conhecemos: a direita nos governou por muito mais tempo do que a esquerda. Olhando retrospectivamente a história recente do Brasil, o racha mais traumático entre as esquerdas aconteceu na eleição presidencial de 1989. Lá, se Brizola e Lula tivessem se reunido em torno de uma candidatura única, Collor não teria nem sonhado em ser presidente do Brasil. Unidade a qualquer custo não é e nem deve ser o fim último da atividade política. Mas a divisão também não pode ser um desfecho banal; não pode ser uma solução barata. A consistência de um projeto político está em relação direta com sua capacidade de produzir transformações na base da sociedade. A base da sociedade, por mais que isso frustre as esquerdas, não é um todo homogêneo. Para alcançá-la é preciso transigir, com responsabilidade e espírito publico. Divisões na estrutura gerarão divisões na base. O eleitorado – que pode ser de direita ou de esquerda, mas é quase sempre pragmático – aprecia o fortalecimento de seu campo e gosta de ganhar eleição. Divergências, quando pontuais e de natureza estritamente ideológica, podem ser resolvidas no campo fecundo do debate, que ainda tem o predicado de criar mais reflexão e mais identidade. O rompimento não nos interessa.
P.S: Para quem não acredita que a oposição entre direita e esquerda ainda é a tônica de qualquer debate político nas sociedades capitalistas, recomenda-se acompanhar as eleições norte-americanas e o fenômeno Bernie Sanders.

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