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Por Flávia Cavalcanti


Quem teve a oportunidade de assistir o filme Spotlight – Segredos Revelados - que documenta a história verídica de dezenas  de crianças molestadas em Boston nos EUA, não só se surpreende pela maneira em que os casos foram desvendados com maestria pelos jornalistas que denunciaram a causa na vida real, como admira a sensibilidade dos autores e do diretor ao retratarem a situação delicada das vítimas e com a maneira que fora preciso persuadi-las em prol dos detalhes necessários à investigação. 

Por outro lado, é impressionante como eles transmitiram o medo da sociedade em “brigar com a igreja” e decepcionante a constatação de que os PAIS se calavam diante do conhecimento dos abusos. 

Por mais escândalos que a igreja católica tenha colecionado em milhares de anos, saber que um crime foi cometido dentro dela é algo que causa espanto e horror, pior ainda quando o criminoso usa batina.  É lastimável saber que os pais se detém diante de uma pressão histórica e social, sufocando no filme e na vida real o grito por socorro. E isso, sabemos que acontece no mundo inteiro. 

É bem verdade que numa inversão insana de papéis, a vítima  se envergonha diante da repercussão da denúncia, especialmente de crimes sexuais. Talvez pelo julgamento de pessoas que cruelmente insinuam de que de "alguma forma ele(a) deve ter feito algo para merecer aquilo" - o que é lastimável. 

Mas se o padre que deveria ajudar, orientar e proteger, na prática ele traumatiza. Como proceder? Se o marido que em tese deveria prover o lar, fere sua esposa.  O que fazer? Se a mãe espanca o próprio filho.  Quem no mundo poderá defendê-lo?

Já não basta viver sem segurança em qualquer lugar, agora sortudo é quem não dar o azar de dar de cara com o urso da montanha, mesmo ao andar no bosque.  Sortuda é a família que quer catequizar seu filho, sem o expor ao perigo de ser molestado por um indivíduo doentio, camuflado por uma instituição. 

Então, oremos para quando o bandido chegar para o assalto, chegue sóbrio o bastante para não ficar "assustado" com a nossa rendição a ponto de cometer um latrocínio.  Oremos para que a psicóloga não nos enlouqueça, que o médico não nos adoeça, que a polícia nos ajude, que o político nos governe e não nos engane, que o pai eduque e não estupre, que justiceiros de carne e osso a lá Spotlight apareçam de vez em quando (só para variar) - nas redações, nos quartéis, no Senado, nas escolas, nas UPAS e nas ruas. 

E agora mais essa: ainda temos que torcer para que ao entrar numa igreja possamos encontrar alguma paz, não só o seu caos. E pedir a Deus que aquele velho com cara de bonzinho no confessionário, esteja ali somente por pura fé e vocação. Oremos.

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