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Por Alessandro Lo-BiancoBasta entrar na rua para sentir o clima de expectativa e perceber que o assunto da vez  é a reforma que começou no apartamento da mãe da ex-presidenta Dilma Rousseff, na rua Joaquim Nabuco, via que une os bairros de Copacabana e Ipanema. Ela vai dividir a vida entre Porto Alegre e o Rio de Janeiro após deixar o Palácio da Alvorada.  O apartamento tem 125 metros quadrados e é da sua mãe, Dilma Jane. O prédio tem apenas quatro apartamentos por andar e fica a 200 metros da orla da praia de Ipanema e a 700 metros da orla de Copacabana. Da calçada é possível observar os pedreiros realizando a obra no apartamento. Da rua, o repórter pergunta que tipo de reforma está sendo feita no imóvel e um dos pedreiros responde "geral" e fecha as janelas. O porteiro havia interfonado para o apartamento a fim de evitar o contato.
- Ninguém está autorizado a falar sobre isso, nem o síndico - diz o zelador.
Um dos moradores deixa o edifício. Ele pede para não ser identificado e  conta que os apartamentos do prédio estão com valor de venda aproximado de R$ 3,5 milhões. De acordo com índice FipeZap, feito pela empresa Zap e o Instituto de Pesquisas Econômicas de São Paulo, o valor do metro quadrado no bairro gira em torno de R$ 20.500, ou seja, seria um valor de venda aproximado de R$ 3 milhões para este tipo de imóvel. X informou que o prédio está bem dividido sobre a chegada da nova moradora e, por isso, ninguém deseja falar com a imprensa com medo de uma “politização partidária dentro do condomínio”.

- Tem pessoas ali que mantém, de alguma forma, uma reciprocidade com a família dela, pois eles sempre utilizaram o imóvel antes que ele se tornasse presidenta - disse.

Mas se a conversa com a imprensa é pouca do lado de dentro do prédio, moradores vizinhos comentam sobre a novidade e se dividem entre as opiniões. Para a maioria, a chegada de Dilma na região será positiva na medida em que trouxer mais policiamento e segurança na rua. Por outro lado, moradores temem as manifestações dos dois lados, contra e a favor de Dilma.

Pedreiros trabalham na reforma do imóvel onde Dilma irá morar com a mãe em Ipanema.
Logo pela manhã, o assunto já tomava conta da rua. Os porteiros eram a todo momento questionados por moradores avarentos por informações. Morador vizinho do apartamento da mãe de Dilma, Ricardo Sans Blather tem 62 anos e é economista. Ele conta que ficou revoltado com a notícia e que poderá, até mesmo, deixar a rua:

- Moro aqui na rua há anos e ela não tem que vir para cá. Deve ficar em Porto Alegre só. Vai querer pedalar agora em nossa rua também? Isso aqui vai ficar um inferno! Ela pedalava todo dia em Brasília. Imagina quando começar a sair de bicicleta aqui - disse chateado.

Dona Júlia Martins, de 71 anos, retrucou:

 - Pelo contrário; vai trazer segurança! E tem mais: sou gaúcha como a Dilma! Se ela passar por mim, vou querer abraçá-la, para que veja que escolheu muito bem o local para morar.

A estudante de Direito Aline Macha, de 25 anos, mora quase no final da rua e diz que todos devem tratá-la como qualquer outra pessoa. Ela aposta que os moradores sofrerão um “agito inicial”, mas que passará após alguns meses:

- Com o tempo, os moradores se acostumam e passa essa euforia toda. Já temos o Hotel Fasano aqui na rua. Muitas celebridades ficam nele e todos já estão acostumados. Será apenas mais uma - diz. 

No início da rua mora Dona Talita Lima, de 89 anos. Há mais de 50 anos no bairro, ela diz que ficou eufórica com a notícia:

- Vai ser ótimo! Não posso morrer agora, de jeito nenhum! Quero ver essa coisa toda. Mesmo se a maioria for contra ou a favor, o fato é que a rua já está mais animada. Agora mesmo estavam falando sobre isso na padaria, e também na banca de jornal. Para a gente que é idoso e que passa muito tempo aqui na rua e não sai para muito longe será muito divertido essa novidade. Só não quero manifestação para não atrapalhar minhas coisas - disse.

- Algumas pessoas não gostaram, mas eu já disse que ela deveria participar das reuniões para nos ajudar com mudanças no bairro. Outros adoraram a ideia! - completou dona Talita.

A publicitária Irene Orlando, de 53 anos escutou o depoimento e revidou:

- Moro ali do lado da banca de jornal onde essa senhora estava. Não vou comentar com ela por educação, mas a nossa rua perdeu a credibilidade. Será vista como algo negativo agora. Não sou assassina, mas se eu pudesse jogava uma bomba agora nesse prédio. É como todos estão olhando para lá. Infelizmente, as pessoas que irão pagar o pato serão os moradores de bem que residem neste condomínio - disse a moça sem querer se identificar.

O geólogo Jorge Quentão aposta que pode aumentar o policiamento na rua Joaquim Nabuco após a chegada de Dilma.
O geólogo Jorge Quentão é aposentado e vive na Joaquim Nabuco há 16 anos:

- Quando saí de casa nesta manhã, os comentários já estavam espalhados pela rua. Acredito que as pessoas contrárias ao governo Dilma poderão fazer algo que a coloque em alguma situação de constrangimento, mas com o tempo a vida segue normal e as pessoas acabam se desligando e acostumando. Espero, sinceramente, que pelo menos o policiamento melhore, pois tem muito assalto aqui - conta.

A advogada Paula Amar se mudou para a rua há dois anos. Ela confessa que não gostou da notícia, mas também acredita que os assaltos podem diminuir na região:

- A gente sabe que existem alguns políticos morando em algumas ruas do bairro que acabam mais policiadas do que outras. Eu não acho agradável a presença dela aqui na rua, mas espero que, pelo menos, fique mais segura esta parte do bairro. 

Paula Amar: "A notícia não foi das melhores, mas pode aumentar a segurança. Assaltos são constantes na rua."
Já a universitária Joanna Veloso, de 23 anos, ficou preocupada com as manifestações. Ela monitora as redes sociais e acredita que os movimentos na rua serão convocados assim que Dilma chegar na cidade. 

- Com esse processo indo para a fase de recurso no STF, a situação aqui pode ficar catastrófica. Lembra como ficou a rua do Sérgio Cabral durante as manifestações de 2013? Fico com medo dos radicais e da ação da polícia. Assim que ela mudar de vez vão marcar manifestações. Já teve tumulto na rua do César Maia, do José Mariano Beltrame e agora vai ter aqui - aposta.

A psicanalista Maria Cecília, de 66 anos, e a empresária Thaís Castro, de 51, se divertiam com a situação durante um bate-papo na calçada. As duas amigas concluíram que "seria melhor trocar assaltos por possíveis tumultos" se a rua ficar mais policiada com a chegada de Dilma.

- Preferimos os tumultos na rua por causa de política do que os assaltos por falta de polícia. Esperamos que a segurança melhore, já que ela vem mesmo para cá. Pelo menos isso! Tumultos decorrentes de manifestações passam, mas os assaltos não - disse Maria Cecília.

As amigas Thaís Castro e Maria Cecília se divertiram com a notícia: "melhor tumultos por causa de Dilma do que assaltos por falta de polícia"
Dilma em Ipanema: mercado se prepara para chegada da ex-presidente no bairro

Muitos comerciantes que trabalham na rua ou no quarteirão também ficaram animados com a notícia de que a ex-presidente Dilma estará, em breve, circulando pelas ruas do bairro. Alguns confessaram que já pensam até em modernizar seus negócios e apostam numa valorização da rua. É o caso do jornaleiro Nelson Alves da Silva, de 32 anos. Ao comprar a banca de jornal há dois meses, ele não imaginava que iria trabalhar a menos de 50 metros do prédio onde Dilma irá residir:

- É grande a expectativa! A segurança vai aumentar e a rua, com certeza, vai ficar mais agitada. Isso será ótimo para o movimento da banca. Como estou em frente ao prédio da Dilma, vou modernizar a banca. Pra começar, inserir produtos de beleza voltados para mulher, como bolsas e outros acessórios. E como sei que ela gosta de ler, então vou colocar livros. Como ela também sempre caminha ou anda de bicicleta, teremos muita água de coco - disse.

Surpresa: Há dois meses, Nelson Alves comprou uma banca de jornal em frente ao prédio de Dilma em Ipanema.
O quiosque na orla de Ipanema mais próximo do prédio é onde trabalha David Nascimento, de 31 anos.

- A gente atende aqui o Daniel Alves, da seleção brasileira, a Regina Casé... Já estou acostumado. Se a Dilma passar aqui durante uma caminhada terá atendimento de primeira linha. Vou até dar uma modernizada no balcão e na arrumação dos cocos - disse.

Um dos restaurantes mais tradicionais do bairro, a Adega Restaurante, também vive a expectativa de receber a presença da nova moradora. O gerente Márcio Alves Pinto conta o restaurante iniciou as atividades no bairro em 1961 e, desde então, possui diversos clientes políticos. E ele também mostrou que entende de política e brincou:

- A Dilma vai gostar muito daqui. E tem mais: se ela ligar avisando o dia que vem, a gente tira até a Lula do cardápio - brincou, animado com a notícia.

- Essa casa é muito procurada pelos políticos e já estamos até pensando em uma mesa para ela. César Maia, Sérgio Cabral, Índio da Costa e muitos outros adoram nosso cardápio. Já recebemos aqui o ex-presidente Café Filho depois que foi deposto. O Celso Peçanha, que governou o Rio em 1961 também vinha sempre aqui comer o nosso cabrito. Dilma virá aqui experimentar nosso picadinho, o bacalhau, e não vai sofrer constrangimento nenhum. Será muito bem atendida - disse Márcio. 

Adega Restaurante: "Se ligar com antecedência, a gente tira até a Lula do cardápio", brincam funcionários da casa.
Numa das esquinas da rua também está está uma tradicional cooperativa de táxi. Antônio Carlos Soares, de 66 anos, trabalha no local há 34 anos e diz ter, pelo menos, cinco clientes que moram no prédio onde Dilma irá residir nos próximos anos com a mãe. Segundo ele, que já disse também ter prestado serviços para o ex-marido de Dilma que residiu no imóvel, toda categoria está animada com a possibilidade de um fluxo maior de clientes na rua.

- Ela só não pode pedir o Uber - brincou, antes de opinar: 

- Ela vai gostar muito daqui. É uma das ruas mais luxuosas e tranquilas do bairro. Eu não saio mais do ponto! Quero fazer uma corrida para ela. Mas escutei que ela terá segurança e motorista particular e fiquei chateado. Mas, quem sabe, ela não se arrisca”, disse animado.

Antônio Carlos trabalha no ponto de táxi da Rua Joaquim Nabuco há 34 anos e tem clientes no prédio onde Dilma irá morar.
Em frente ao ponto de táxi também fica uma farmácia popular. A notícia de que Dilma vai chegar nas próximas semanas fez com que alguns funcionários brigassem para trabalhar no balcão do caixa, pois tem a melhor visão para a calçada. O local foi assumido pela balconista Ana Carla, de 24 anos.

- Tem pivetes que sempre passam correndo aqui assaltando as pessoas quando deixam a praia. Vai ser bom pra gente. Aqui ela será muito bem tratada, só não sei se vai entrar numa farmácia popular, mas acredito que sim - aposta.
A animação também contagiou os funcionários do Sindicato do Chope, um dos bares mais tradicionais e badalados da rua. A atendente Rosane Costa Ferreira, de 42 anos, diz que a moqueca da casa já está no forno esperando Dilma:

- Aqui ela vai experimentar a melhor moqueca da vida dela; e se não gostar de moqueca vai comer nosso salmão com arroz de brócolis e molho de alcaparras. Se eu souber que ela sentou em algum outro restaurante da rua e não veio aqui, ficaremos muito magoados - disse ela, confessando que o local deve ganhar um capricho maior para chamar mais atenção da ilustre moradora. Ela também aposta que Dilma não sofrerá represálias no bairro:

- Meus clientes são todos muito educados. Aqui em Ipanema a educação vai prevalecer. Se ela vier aqui, ficaremos muito felizes - completa Roseana.

Roseana trabalha no Sindicato do Chope e conta que a Moqueca já está aguardando Dilma.
O assunto também dividia opiniões de funcionários de uma pizzaria localizada a 250 metros do prédio.

- Ela pode vir aqui, mas não quero que se meta com a política do nosso cardápio - brincou Flávia Mendonça, de 33 anos. 

Outra atendente, Clarice Aguiar, de 27 anos, retrucou com a amiga: 

- Eu já falei; ela fica falando assim, mas na hora que a Dilma chegar irá correr pra pegar a melhor pizza portuguesa da casa - disse.

Gerente do supermercado mais próximo do prédio, Rose Barros, de 39 anos, disse que já escuta os clientes comentando sobre a chegada de Dilma dentro do mercado. Ela diz que a ex-presidente precisa estar preparada para represálias:

- Ela escolheu um bairro que tem muito militar e funcionário público aposentado e insatisfeito. Quando tinha algo sobre ela na televisão, todos protestavam das janelas. Acho que ela vai sofrer sim algo no começo, mas, com o tempo, o pessoal acostuma. Realmente, da parte do comércio, espero um policiamento maior com a sua chegada - disse.

Já numa confeitaria próxima ao mercado, a aposta é por uma foto com a ex-presidente:

- Quero pedir uma foto se ela vier aqui! Se precisar tomar um bom café, comer um sonho, um doce caprichado, pode vir aqui. Li que ela está de dieta, mas comigo a gente vai dar um jeito! - brincou animada Antônia de Jesus, de 44 anos, que trabalha no caixa da confeitaria.

Numa rua paralela ao logradouro do imóvel está o floricultor Flamariano Fernanes Lima. Ele já está deixando o espaço onde vende as flores mais decorado:

- Assim que fiquei sabendo, já coloquei as orquídeas para frente da vitrine. Sei que a Dilma gosta deste tipo de planta e estou na expectativa de recebê-la, ou até mesmo algum dos seus funcionários. Muitas pessoas decoram suas casas com minhas flores e ela vai gostar muito do atendimento - disse.

Flamariano Fernandes: orquídeas vão para frente da vitrine após notícia da chegada de Dilma na rua ao lado. 

E não é só a ex-presidente que é aguardada no bairro; Se ela trouxer na bagagem algum pet de estimação, o bichinho já tem  até cartão fidelidade a sua espera num pet shop situado a 500 metros do prédio.

- Ela adora labradores e tinha um em Brasília. Aqui, qualquer animal da Dilma vai ter atendimento de estrela. Ele nem chegou, mas já tem cartão fidelidade aqui no pet - disse o proprietário Mauro Paulino Filho, de 32 anos.

Num dos petshops próximos ao prédio de Dilma, cartão fidelidade já está pronto a espera de algum bichinho da ex-presidente.

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