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ENTREVISTANDO - Mais do que um documento, o novo conceito de identidade vai além dos limites do retângulo verde com foto, assinatura e impressão digital. É a definição da personalidade humana nas suas diversas formas e, nada mais natural, do que a cédula oficial refletir a identidade como este público é reconhecido. O Detran começou a emitir a nova Carteira de Identidade Social, criada para transexuais e travestis. 


Os primeiros contemplados foram Vanessa Alves da Silva, Yonne Alves de Mello, Pedro Henrique Rodrigues e Loren Carneiro.

. Aos 16 anos, Yonne não se sentia completa. 
- Quando mostrava o meu documento, ficava aquele silêncio e olhares constrangedores - explica ela sobre a dor que passava. 
Os tempos eram outros e Yonne teve que esperar 34 anos se passarem para realizar o sonho de ver seu nome social no documento de identificação neste 27 de março de 2018. Será Yonne Alves de Mello.
- Estou muito feliz porque este é um grande sonho ter o nome social sem o constrangimento de ter uma foto feminina e um nome masculino na identidade. Convivo com isso há 30 anos e era chato ser chamado pelo nome que constava ali.
Há cerca de um ano e meio, o bartender Pedro Henrique Rodrigues, que também recebeu o novo documento, vinha buscando formas de fazer com que seus documentos de identidade e registro reflitam quem ele realmente é. Em busca da retificação de sua certidão de nascimento, acabou encontrando o serviço a carteira de identidade o nome que o representa. 
Já Vanessa Alves da Silva nasceu há 53 anos. Desde a infância, sentia-se menina e disputava as bonecas e demais brinquedos femininos com as irmãs. Aos 13 anos, começou a usar hormônios e logo os primeiros sinais de feminilidade apareceram no seu corpo e em seu rosto. 
O secretário de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos, Átila Alexandre Nunes, ressaltou a importância da população LGBT.
- Muitos me perguntam o porquê desse documento ser tão importante. É bom lembrar que a dignidade humana é um direito humano. Todos merecem ser bem tratados, e  chamar uma pessoa pelo nome que ela se identifica é uma questão de respeito. Por isso nós lutamos por esse direito, para acabar com as situações constrangedoras pelas quais muitas destas pessoas passam - afirmou Átila.
Para o presidente do Detran, Vinicius Farah, a medida resgata a cidadania de uma expressiva parcela da população. Farah explicou também que os atendentes do órgão foram treinados para prestar um atendimento ainda melhor àqueles clientes. 
- Esta é uma conquista histórica, com o resgate da dignidade e o fim da discriminação, algo inadmissível nos tempos de hoje. Em parceria com a secretaria, treinamos toda a nossa equipe para receber o público LGBT, que merece todo o nosso respeito. A partir de agora, eles terão o seu nome na Carteira de Identidade Social e dignidade. A emissão da Carteira de Identidade Social é uma conquista histórica e o Detran se preparou para estar pronto para oferecer um atendimento com respeito, qualidade, eficiência, dignidade e carinho. Para isso, treinamos cerca de 200 funcionários de forma que eles se sensibilizassem e entendessem as necessidades de cada indivíduo. Somos uma casa aberta para que o cidadão se sinta acolhido - explica Vinicius Farah.

Para tirar a Carteira de Identidade Social basta pagar uma taxa (Duda) de R$ 37,15, agendar o serviço e uma espera de cinco a dez dias para receber o documento. Também é necessária uma declaração de próprio punho em formulário específico disponível nas unidades do Detran. O novo documento trará o nome social. 


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