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Alessandro Lo-Bianco - O documentário “Frágil Equilíbrio”, dirigido por Guillermo García López, foi lançado no Brasil no último dia 18 de abril. O tema é mais do que atual e obrigatório. São histórias articuladas através das palavras de José Mujica, ex-presidente do Uruguai, que, durante todo o longa, aborda questões universais que ameaçam a humanidade, questionando muitos dos fundamentos do mundo em que vivemos.



- São três histórias em três continentes diferentes entrelaçadas: dois executivos japoneses em Tóquio cujas vidas estão no círculo vicioso de trabalhar em corporações e de consumismo; uma comunidade subsaariana no Monte Gurugú, perto da fronteira entre a África e Melilha, que arrisca suas vidas, todos os dias, tentando atravessar rumo ao Primeiro Mundo; e famílias na Espanha que são destruídas pela crise econômica, a especulação imobiliária, corrupção política e sendo despejadas de suas casas como resultado – diz Pablo Godoy-Estel, um dos produtores do documentário.

Filmado no Uruguai, Japão, Espanha, Marrocos, México, Hong Kong, Estados Unidos, Qatar, Reino Unido e Chile, a produção traz uma reflexão sobre questões urgentes que norteiam a contemporaneidade: imigração, crise econômica, consumismo, mas também sobrevivência, alienação, identidade, liberdade, solidão, amor e morte.

- Fazer um documentário gravado em muitos países foi um desafio para uma produção independente por questões de orçamento e de tempo mesmo. Então nos comunicamos com colegas conhecidos em diferentes partes do mundo e explicamos o que estávamos procurando fazer e porque, além do que necessitávamos. Demos a eles as especificações técnicas corretas e assim tivemos todas as imagens que precisávamos – explica.

A ideia para a produção nasceu quando o diretor, Guillermo García López, visitou o Uruguai e ouviu o discurso do então presidente José Mujica. O contraste de um presidente perto do seu povo, que morava na sua casa quase do mesmo jeito que a maioria da população foi algo muito forte para quem vinha de uma Espanha em crise, com governantes quase inacessíveis.

- É uma história enraizada no presente, mas que olha para o futuro. Uma meditação sobre o caminho que a humanidade está tomando em seus hábitos, usos e formas de se relacionar com o mundo. É uma viagem através de diferentes culturas, lugares e sociedades; um convite para mudar, do particular para o geral – enfatiza Godoy.

Foram muitos meses de trabalho e insistência para que Mujica recebesse um dossiê com a ideia, uma primeira versão de Frágil Equilíbrio, para que entendesse a importância da sua participação no projeto, para tratar de questões que, segundo Guillermo, só ele poderia responder. “Depois de persistir diariamente, por quase seis meses, a entrevista foi concedida. José Mujica tinha gostado do nosso plano, da nossa ilusão e da nossa entrega”, revela.

“Frágil Equilíbrio” chega ao Brasil com um forte apelo dos meios especializados e premiadíssimo. O primeiro prêmio foi para Melhor Documentário Espanhol no Festival SEMINCI (Semana do Cinema de Valladolid). Logo após, foram convidados para o IDFA, considerado o Cannes dos documentários. Na sequência, o ponto alto: foram premiados com o Goya, na categoria de Melhor Documentário da Academia de Cinema da Espanha.

- Isso foi uma loucura. Um filme independente, concorrendo com grandes nomes e produtoras do cinema espanhol ganhar esse prêmio. Além disso, também teve lugar especial nos prêmios da audiência, das pessoas para quem a gente fez o filme, e vencemos em Portugal, Itália, no estado do Texas nos EUA. E em outros lugares o prêmio foi duplo, da audiência e do júri – diz o produtor Pablo Godoy-Estel.

No Brasil eles fazem o lançamento de um jeito nada tradicional. “Já procuramos festivais que nos dessem a oportunidade de nos comunicar com audiências interessadas nos temas que o filme aborda, mas agora nossa intenção é partir para um outro tipo de distribuição alternativa”, revela. 

Os produtores pensam de forma estratégica a utilização do documentário em cada país para chegar da melhor forma às pessoas. No Brasil, pelas dimensões continentais, os produtores disponibilizaram o filme no “Vimeo On Demand” (https://vimeo.com/ondemand/fragilequilibrio2/259418572) para aluguel, mas isso não fecha as portas de projeções especiais ou de até uma futura distribuição nos cinemas. Uma coisa bem clara é que o panorama da distribuição de conteúdos audiovisuais muda a cada dia.

Como resumir “Frágil Equilíbrio”? Citando uma das frases mais marcantes do documentário: “O mundo é uma coisa frágil e bela, navegando no meio da solidão do Universo, do silêncio mineral, das leis da física”, reflete José Mujica.


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